Manaus – A rede estadual de saúde do Amazonas iniciou 2026 com um marco significativo na área de transplantes. Na quarta-feira (14/01), a primeira doação de órgãos do ano possibilitou a realização de três transplantes — dois renais e um hepático — reforçando o papel do estado como referência na Região Norte. A jornada começou no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, integrante do Complexo Hospitalar Sul (CHS), onde ocorreu a captação múltipla de órgãos, e foi concluída no Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, no Complexo Hospitalar Norte (CHN).

Os cinco órgãos transplantados foram captados de um único doador, que faleceu no HPS 28 de Agosto. Além de um fígado e dois rins destinados aos transplantes, também foram captadas duas córneas, encaminhadas ao Banco de Olhos do Amazonas, ampliando a possibilidade de devolver a visão a pacientes que aguardam na fila de espera.
A secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, destacou que o sucesso da ação é resultado do trabalho integrado entre hospitais, equipes especializadas e instituições parceiras. Segundo ela, a consolidação do modelo de atuação em rede garantiu maior sincronismo entre as equipes de captação e transplante. “Esse alinhamento permitiu ao Amazonas alcançar um recorde histórico de 30 captações de órgãos em 2025, consolidando o estado como o maior centro transplantador da Região Norte”, afirmou.
As atividades envolveram profissionais da Coordenação Estadual de Transplantes, da Organização de Procura de Órgãos (OPO Amazonas), hospitais da rede estadual, da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) e da Fundação Hemoam, assegurando suporte laboratorial, transfusional e logístico em todas as etapas do processo.

De acordo com o coordenador estadual de transplantes, o médico Marcos Lins, em menos de 24 horas foram realizadas cinco captações e três transplantes, demonstrando a eficiência da integração entre as equipes. “Esses procedimentos representam um novo começo para pacientes que aguardavam por uma chance real de continuar vivendo. Todos seguem em recuperação, sob acompanhamento em unidade de terapia intensiva”, ressaltou.
A especialista em captação e doação de órgãos, Hellen Bezerra, reforçou a importância da conscientização da população para ampliar o número de doadores no estado. Ela lembrou que a doação só acontece mediante autorização familiar. “Por isso, conversar com a família e manifestar o desejo de ser doador ainda em vida é fundamental. Esse simples gesto pode salvar muitas vidas”, destacou.

Referência em transplantes renais e hepáticos, o Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz já realizou 272 transplantes desde a retomada dos procedimentos na rede pública estadual, consolidando o Amazonas como polo de alta complexidade em saúde pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
